Bem, achei por bem adicionar aqui uma coisinha a falar do blog já que parece que andam a haver alguns mal-entendidos. Primeiro que tudo, nem todos os textos que publico no blog são auto biográficos. Nem em todos as emoções de que falo são as minhas.
Os textos em que realmente há realidade são os da "saga das sapatilhas", onde momentos, sentimentos ou vários momentos do que ando/andei a passar são compilados.
As poesias também compartilham esta característica, mas muitos dos textos criativos são apenas isso, textos criativos.

Por isso, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem... Ou pelo menos vou fazer de tudo para isso =)

Do ya think I'm:

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Dor

Ela olhou para as sapatilhas e forçou-se a ganhar ânimo para as tirar. Uma tarefa tão simples em qualquer outro dia, mas tão difícil naquele momento. Em vez disso, com a mão direita, cobriu o pulso esquerdo. Como se estivesse a tentar estancar uma hemorragia que não estava presente. Mas que ela queria que estivesse. Por vezes desejava o sangue a correr dos seus pulsos, a vida fugindo da sua vida tão lentamente que ela tivesse tempo para se arrepender tarde de mais. Quando imaginava este momento as lágrimas inundavam os seus olhos mas não corriam. Ela não era… dela mesma. Pertencia a um conjunto de pessoas que a amavam tanto que era difícil de compreender porque é que ela se sentia tão triste. Como é que alguém a quem tanta gente queria tanto bem, podia chorar no escuro do seu quarto? Como é que ela, de todas as pessoas do mundo, poderia pensar em morrer?
Nem ela sabia… Sabia apenas que o mundo doía. Que todo o peso nos seus ombros, que as correntes a esquartejarem o seu coração… Tudo isso tornava-se cada vez mais insuportável. E de cada vez que as pessoas na sua vida juravam que a amavam – e ela acreditava completamente pois amava essas pessoas também – a dor parecia aumentar. Porquê?!
Forçou ainda mais a mão sobre o pulso, como se quisesse deixar uma nódoa negra. Talvez aquela dor física conseguisse expulsar o ardor no seu coração. Como sempre não conseguia chorar. Forçou-se a mexer-se, descalçou-se, tirou as calças, a t-shirt, a roupa interior e, sem colocar algo mais sobre o corpo, enfiou-se debaixo dos cobertores.
Apertou o pulso contra o peito mas o coração ainda era o que doía mais.



Está relacionado com este texto.

1 comentários:

  1. hummm isto faz-me lembrar algo que li acerca de estado depressivo... Não sei se consciente ou inconscientemente mas esta descrição diz muito...

    Adorei.. forte, nu, cru...!

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