Ao olhar pela janela vejo apenas vultos negros de casas recortados contra um céu entre o azul celeste e o escuro. Algumas luzes estão acesas. Estarão pessoas a jantar? Ou talvez, tal como eu, a olhar cá para fora, procurando na cidade calma algo que tranquilize os seus corações. Que preocupações terão? Trabalho? Dinheiro? A falta de ambos, já que parece que hoje em dia isso é um mal geral? Será que algum deles ainda conseguirá pensar em amor nesta sociedade de bens materiais?
Eu consigo e a lua sorri-me. Branca Artémis, tão perto da sua bela irmã Afrodite. Força e Amor. Duas coisas que preciso neste momento. Penso nas pessoas de que tenho saudade e suspiro. Que palavra tão portuguesa, que sentimento tão avassalador este que vive no meu peito e que desde sempre fez parte de mim. Sentir a falta dos que me são próximos e, acima de tudo ter aquela estranha sensação de ter “saudades de coisas que nunca vivi”. Os candeeiros de rua acendem-se e pergunto-me se serei a única que tem este peso no coração, uma dor que magoa mas que me faz sorrir. Serei a única com alma de poeta?
A noite caiu por completo, o céu está escuro e Artémis e Afrodite vêem-se ainda melhor neste céu de Primavera. As luzes nas janelas apagaram-se. Terá a cidade adormecido?
Ou mergulhado numa saudade infinita?

Estás a ficar boa demais.
ResponderEliminar*grunf*