Patrícia sempre achara que o mundo era demasiado chato. Chato, não no termo de plano como uma pizza e que ao chegarmos à linha do horizonte caímos – claro que a imagem mental era bastante engraçada – mas sim chato de aborrecido, desinteressante. Chato! Não era como nos livros em que havia aquelas coisas espectaculares que a faziam suster a respiração e secar os olhos furiosamente.
Por isso, sempre que podia, embelezava o mundo com os seus próprios detalhes. Ao andar na rua via um dragão a voar entre as nuvens e um ninja a saltar de telhado em telhado. A Batalha dos Campos de Pelenor já se realizara em imensos sítios incluindo o pátio da sua escola e os montes dos seus lençóis. Claro que esses pormenores acabavam por a prejudicar no seu dia-a-dia.
O maior problema nem era a dificuldade que tinha em estudar – não sabia como, mas as notas nem eram más – mas sim explicar porque é que achava porque o “d” reprimia o “e”. E, podia parecer que não, mas muitos não aceitavam aquela visão do mundo de ânimo leve. Não era normal, aos vinte e sete anos, ver dragões no céu, os ninjas no telhado, ou imaginar mundos paralelos. Aos vinte e sete anos era normal analisar a relação socioeconómica que tinha com um homem, casar e ter filhos. Aos vinte e sete anos ela não tinha onde usar a sua visão daquele mundo chato.
Patrícia continuou a achar o mundo chato. Um dia chegou à linha do horizonte e caiu.

DAMN
ResponderEliminarAdorei o fim.
Quero casar com o modo como acaba.
Ameîî"
ResponderEliminareu sou uma paty"