Bem, achei por bem adicionar aqui uma coisinha a falar do blog já que parece que andam a haver alguns mal-entendidos. Primeiro que tudo, nem todos os textos que publico no blog são auto biográficos. Nem em todos as emoções de que falo são as minhas.
Os textos em que realmente há realidade são os da "saga das sapatilhas", onde momentos, sentimentos ou vários momentos do que ando/andei a passar são compilados.
As poesias também compartilham esta característica, mas muitos dos textos criativos são apenas isso, textos criativos.

Por isso, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem... Ou pelo menos vou fazer de tudo para isso =)

Do ya think I'm:

Sábado, 25 de Abril de 2009

O Mundo de Patrícia

Patrícia sempre achara que o mundo era demasiado chato. Chato, não no termo de plano como uma pizza e que ao chegarmos à linha do horizonte caímos – claro que a imagem mental era bastante engraçada – mas sim chato de aborrecido, desinteressante. Chato! Não era como nos livros em que havia aquelas coisas espectaculares que a faziam suster a respiração e secar os olhos furiosamente.

Por isso, sempre que podia, embelezava o mundo com os seus próprios detalhes. Ao andar na rua via um dragão a voar entre as nuvens e um ninja a saltar de telhado em telhado. A Batalha dos Campos de Pelenor já se realizara em imensos sítios incluindo o pátio da sua escola e os montes dos seus lençóis. Claro que esses pormenores acabavam por a prejudicar no seu dia-a-dia.

O maior problema nem era a dificuldade que tinha em estudar – não sabia como, mas as notas nem eram más – mas sim explicar porque é que achava porque o “d” reprimia o “e”. E, podia parecer que não, mas muitos não aceitavam aquela visão do mundo de ânimo leve. Não era normal, aos vinte e sete anos, ver dragões no céu, os ninjas no telhado, ou imaginar mundos paralelos. Aos vinte e sete anos era normal analisar a relação socioeconómica que tinha com um homem, casar e ter filhos. Aos vinte e sete anos ela não tinha onde usar a sua visão daquele mundo chato.

Patrícia continuou a achar o mundo chato. Um dia chegou à linha do horizonte e caiu.

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