Bem, achei por bem adicionar aqui uma coisinha a falar do blog já que parece que andam a haver alguns mal-entendidos. Primeiro que tudo, nem todos os textos que publico no blog são auto biográficos. Nem em todos as emoções de que falo são as minhas.
Os textos em que realmente há realidade são os da "saga das sapatilhas", onde momentos, sentimentos ou vários momentos do que ando/andei a passar são compilados.
As poesias também compartilham esta característica, mas muitos dos textos criativos são apenas isso, textos criativos.

Por isso, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem... Ou pelo menos vou fazer de tudo para isso =)

Do ya think I'm:

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Mundo Imperfeito

Ela olhou para as sapatilhas e forçou-se a ganhar ânimo para as tirar. Uma tarefa tão simples em qualquer outro dia, mas tão difícil naquele momento. Odiava ser quem era, ter a personalidade que tinha, e ter o aspecto que tinha. Desejava ser outra pessoa qualquer, uma pessoa cujo coração não estivesse constantemente a doer. Só porque o vira. Não o via, ou sequer pensava, nele há mais de um mês e tivera a certeza de que o que quer que sentia por ele já se fora. Mas quando ele aparecera, surgira naquela praça no meio de um grupo de pessoas, não conseguira desviar os olhos dele. Entreabrira a boca, tão fascinada por aquela beleza de menino grande que desde o primeiro momento a cativara.

Teria abanado a cabeça, mas sentia-se demasiado abatida para sequer realizar aquela tarefa e usou a energia para tirar as sapatilhas. No mesmo fôlego despiu-se e enfiou-se na cama. Olhou para o tecto e era impossível pensar noutra coisa que não nele. Já amara muitos – mas apenas um correspondera – e a única coisa que todos aqueles casos tinham em comum era serem autênticos segredos e de cada vez sofrer mais do que a anterior. Aquela não seria diferente. Até que ele saísse do seu coração, iria ter novas feridas no seu ser que só fechariam daí a muito tempo. Mesmo assim de cada vez que tocasse numa daquelas cicatrizes, a dor seria a mesma do que a de uma ferida aberta.

Queria chorar. Sabia que, se as lágrimas corressem pelo seu rosto, molhassem a almofada como tantas vezes já o tinham feito, as coisas seriam muito mais fáceis. Mas não conseguia. Apenas sentia aquele bolo no fundo da garganta e uma dor no coração tão profunda que não compreendia como a conseguia suportar. Demorou a adormecer, pensando nele, em como queria ser outra pessoa e poder amar com alegria.

Sonhou com mundos perfeitos…

…onde ela era ela mesma.

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