Bem, achei por bem adicionar aqui uma coisinha a falar do blog já que parece que andam a haver alguns mal-entendidos. Primeiro que tudo, nem todos os textos que publico no blog são auto biográficos. Nem em todos as emoções de que falo são as minhas.
Os textos em que realmente há realidade são os da "saga das sapatilhas", onde momentos, sentimentos ou vários momentos do que ando/andei a passar são compilados.
As poesias também compartilham esta característica, mas muitos dos textos criativos são apenas isso, textos criativos.

Por isso, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem... Ou pelo menos vou fazer de tudo para isso =)

Do ya think I'm:

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Anjo Caído

“Sabes quem és?”
Sorri ingenuamente e respondi que claro que sabia. Ela sorriu perante a minha inocência e olhou-me profundamente nos olhos.
“Então quem és?”
"Sou uma rapariga que está achar isto uma estupidez!" – respondi, já desconfiada e assustada daquela mulher com aparência de cigana que me tinha interpelado de repente.
Ela estalou a língua contra os lábios, não sei se num gesto de aborrecimento ou de diversão. Agarrou no meu pulso e virou a palma da minha mão para ela, quase encostando o nariz nela para ver as linhas. Após alguns minutos a observar a minha mão, largou-me o pulso, que recolhi rapidamente para junto da cintura. Ela sorriu novamente e começou:
“Tu és aquela que nunca na vida terá um amor real. Amar-te-ão, mas com as tuas fantasias e ilusões nunca conseguirás amar um simples mortal que não tem todas as virtudes e defeitos que idealizaste para um amante perfeito.” – Os nossos olhos cruzaram-se e eu percebi que ela falava a verdade. – “Era preciso que um anjo puro mas corrompido que te percebesse caísse dos céus e te mostrasse como é a verdadeira felicidade. Sim, porque nunca chegarás a essa, é apenas uma estúpida ilusão da tua parte.”
Demorei um pouco a recuperar daquilo e depois ganhei finalmente coragem para perguntar:
“Porque me disse isto tudo? Não seria preferível que eu ficasse satisfeita com o que ia ter.”
“Nunca ficarias” – respondeu ela, voltando a estalar a língua contra os dentes. – “És uma pessoa muito especial e estranha, mas és uma pessoa. Se não soubesses isto, talvez um dia tivesses vontade de acabar com a tua vida. Agora já tens uma razão de viver. Talvez algum dia o teu anjo apareça.”
Pisquei os olhos. O relógio da torre deu as sete horas e eu olhei para ele. Quando voltei a olhar para a cigana ela tinha desaparecido. Ainda hoje, anos depois de isto ter acontecido, questiono-me se seria realmente verdade... O meu anjo ainda não caiu, mas já passaram alguns rapazes que julguei que poderiam ter sido ele... Mas, como sempre fiz, não perco a esperança e penso sempre que será amanhã que ele me vai encontrar.






Um texto escrito a 3 de Novembro de 2004. Era verdadeiro então e ainda hoje é.

1 comentários:

  1. Talvez seja... as pessoas são todas complicadas, umas não vêem o anjo à frente delas, outras procuram-no em toda a parte, caindo outra e outra vez...
    Pode ser que um dia o texto deixe de fazer sentido. Nunca se sabe.*

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