“Sabes quem és?”
Sorri ingenuamente e respondi que claro que sabia. Ela sorriu perante a minha inocência e olhou-me profundamente nos olhos.
“Então quem és?”
"Sou uma rapariga que está achar isto uma estupidez!" – respondi, já desconfiada e assustada daquela mulher com aparência de cigana que me tinha interpelado de repente.
Ela estalou a língua contra os lábios, não sei se num gesto de aborrecimento ou de diversão. Agarrou no meu pulso e virou a palma da minha mão para ela, quase encostando o nariz nela para ver as linhas. Após alguns minutos a observar a minha mão, largou-me o pulso, que recolhi rapidamente para junto da cintura. Ela sorriu novamente e começou:
“Tu és aquela que nunca na vida terá um amor real. Amar-te-ão, mas com as tuas fantasias e ilusões nunca conseguirás amar um simples mortal que não tem todas as virtudes e defeitos que idealizaste para um amante perfeito.” – Os nossos olhos cruzaram-se e eu percebi que ela falava a verdade. – “Era preciso que um anjo puro mas corrompido que te percebesse caísse dos céus e te mostrasse como é a verdadeira felicidade. Sim, porque nunca chegarás a essa, é apenas uma estúpida ilusão da tua parte.”
Demorei um pouco a recuperar daquilo e depois ganhei finalmente coragem para perguntar:
“Porque me disse isto tudo? Não seria preferível que eu ficasse satisfeita com o que ia ter.”
“Nunca ficarias” – respondeu ela, voltando a estalar a língua contra os dentes. – “És uma pessoa muito especial e estranha, mas és uma pessoa. Se não soubesses isto, talvez um dia tivesses vontade de acabar com a tua vida. Agora já tens uma razão de viver. Talvez algum dia o teu anjo apareça.”
Pisquei os olhos. O relógio da torre deu as sete horas e eu olhei para ele. Quando voltei a olhar para a cigana ela tinha desaparecido. Ainda hoje, anos depois de isto ter acontecido, questiono-me se seria realmente verdade... O meu anjo ainda não caiu, mas já passaram alguns rapazes que julguei que poderiam ter sido ele... Mas, como sempre fiz, não perco a esperança e penso sempre que será amanhã que ele me vai encontrar.
Um texto escrito a 3 de Novembro de 2004. Era verdadeiro então e ainda hoje é.
Sorri ingenuamente e respondi que claro que sabia. Ela sorriu perante a minha inocência e olhou-me profundamente nos olhos.
“Então quem és?”
"Sou uma rapariga que está achar isto uma estupidez!" – respondi, já desconfiada e assustada daquela mulher com aparência de cigana que me tinha interpelado de repente.
Ela estalou a língua contra os lábios, não sei se num gesto de aborrecimento ou de diversão. Agarrou no meu pulso e virou a palma da minha mão para ela, quase encostando o nariz nela para ver as linhas. Após alguns minutos a observar a minha mão, largou-me o pulso, que recolhi rapidamente para junto da cintura. Ela sorriu novamente e começou:
“Tu és aquela que nunca na vida terá um amor real. Amar-te-ão, mas com as tuas fantasias e ilusões nunca conseguirás amar um simples mortal que não tem todas as virtudes e defeitos que idealizaste para um amante perfeito.” – Os nossos olhos cruzaram-se e eu percebi que ela falava a verdade. – “Era preciso que um anjo puro mas corrompido que te percebesse caísse dos céus e te mostrasse como é a verdadeira felicidade. Sim, porque nunca chegarás a essa, é apenas uma estúpida ilusão da tua parte.”
Demorei um pouco a recuperar daquilo e depois ganhei finalmente coragem para perguntar:
“Porque me disse isto tudo? Não seria preferível que eu ficasse satisfeita com o que ia ter.”
“Nunca ficarias” – respondeu ela, voltando a estalar a língua contra os dentes. – “És uma pessoa muito especial e estranha, mas és uma pessoa. Se não soubesses isto, talvez um dia tivesses vontade de acabar com a tua vida. Agora já tens uma razão de viver. Talvez algum dia o teu anjo apareça.”
Pisquei os olhos. O relógio da torre deu as sete horas e eu olhei para ele. Quando voltei a olhar para a cigana ela tinha desaparecido. Ainda hoje, anos depois de isto ter acontecido, questiono-me se seria realmente verdade... O meu anjo ainda não caiu, mas já passaram alguns rapazes que julguei que poderiam ter sido ele... Mas, como sempre fiz, não perco a esperança e penso sempre que será amanhã que ele me vai encontrar.
Um texto escrito a 3 de Novembro de 2004. Era verdadeiro então e ainda hoje é.

Talvez seja... as pessoas são todas complicadas, umas não vêem o anjo à frente delas, outras procuram-no em toda a parte, caindo outra e outra vez...
ResponderEliminarPode ser que um dia o texto deixe de fazer sentido. Nunca se sabe.*