Bem, achei por bem adicionar aqui uma coisinha a falar do blog já que parece que andam a haver alguns mal-entendidos. Primeiro que tudo, nem todos os textos que publico no blog são auto biográficos. Nem em todos as emoções de que falo são as minhas.
Os textos em que realmente há realidade são os da "saga das sapatilhas", onde momentos, sentimentos ou vários momentos do que ando/andei a passar são compilados.
As poesias também compartilham esta característica, mas muitos dos textos criativos são apenas isso, textos criativos.

Por isso, obrigada pela preocupação, mas está tudo bem... Ou pelo menos vou fazer de tudo para isso =)

Do ya think I'm:

Sábado, 28 de Março de 2009

Confissões e Chocolate Quente

Uma rapariga estava sentada num café. À sua frente estava uma caneca fumegante de chocolate que ela pedira há algum tempo atrás. No momento apenas a observava atentamente como se, no liquido castanho e, que ela sabia ser, saboroso, estivesse o segredo para todas as suas preocupações. Suspirou, uma e outra vez à medida que o chocolate fumegava menos. E menos. Talvez o seu cabelo já cheirasse a chocolate quente.
– Desculpa, mas… posso me sentar?
Olhou para cima e viu outra rapariga também com uma caneca de chocolate quente na mão. Nos seus olhos via-se uma promessa de que não iria incomodar, apenas se queria sentar, já que todas as outras mesas estavam ocupadas. Ela anuiu e a rapariga sentou-se, pousando a sua caneca de chocolate. Estranhamente, tomou a mesma posição que ela, e fitou a bebida demoradamente.
A primeira rapariga começou a beber o seu chocolate. Bebia devagar, com um pensamento a fluir em cada gole. Uma maneira calma e simples de controlar a dor. Uma estratégia para impedir que a sua mente fosse invadida por demasiadas coisas que a fariam chorar. Quanto mais tempo demorasse a beber, menos coisas a feriam. Menos tempo pareceria faltar para sair daquele estado.
A rapariga à sua frente continuava a olhar para a caneca tal como ela fizera. Talvez sentisse o mesmo por razões diferentes. Talvez estivesse a fugir de algo. Não estava ela também? Não estava toda a gente à sua volta?
Bebeu o último golo e prolongou a sua dormência enquanto se levantava e arrumava a cadeira. A outra rapariga lançou-lhe um olhar calmo, cheio de dor. Ela apenas saiu.
Uma rapariga estava sentada num café.

1 comentários:

  1. Como sempre, a melancolia e beleza dos textos da Marina =p

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