Uma rapariga estava sentada num café. À sua frente estava uma caneca fumegante de chocolate que ela pedira há algum tempo atrás. No momento apenas a observava atentamente como se, no liquido castanho e, que ela sabia ser, saboroso, estivesse o segredo para todas as suas preocupações. Suspirou, uma e outra vez à medida que o chocolate fumegava menos. E menos. Talvez o seu cabelo já cheirasse a chocolate quente.
– Desculpa, mas… posso me sentar?
Olhou para cima e viu outra rapariga também com uma caneca de chocolate quente na mão. Nos seus olhos via-se uma promessa de que não iria incomodar, apenas se queria sentar, já que todas as outras mesas estavam ocupadas. Ela anuiu e a rapariga sentou-se, pousando a sua caneca de chocolate. Estranhamente, tomou a mesma posição que ela, e fitou a bebida demoradamente.
A primeira rapariga começou a beber o seu chocolate. Bebia devagar, com um pensamento a fluir em cada gole. Uma maneira calma e simples de controlar a dor. Uma estratégia para impedir que a sua mente fosse invadida por demasiadas coisas que a fariam chorar. Quanto mais tempo demorasse a beber, menos coisas a feriam. Menos tempo pareceria faltar para sair daquele estado.
A rapariga à sua frente continuava a olhar para a caneca tal como ela fizera. Talvez sentisse o mesmo por razões diferentes. Talvez estivesse a fugir de algo. Não estava ela também? Não estava toda a gente à sua volta?
Bebeu o último golo e prolongou a sua dormência enquanto se levantava e arrumava a cadeira. A outra rapariga lançou-lhe um olhar calmo, cheio de dor. Ela apenas saiu.
Uma rapariga estava sentada num café.
Sábado, 28 de Março de 2009
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Como sempre, a melancolia e beleza dos textos da Marina =p
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